quinta-feira, 4 de abril de 2013

Tradições apolínea e dionisíaca

Antes de adentrarmos nas tradições, vale ressaltar alguns conceitos que são importantes para se começar a entender literatura. Ao estudarmos um autor, diferenciamo-lo dos demais, por meio de características peculiares, características que fazem dele singular. Ao falarmos em peculiaridades de um autor, estamos falando em ESTILO INDIVIDUAL.
No entanto, ao estudarmos literatura, não só o estilo individual nos interessa. Também precisamos observar o ESTILO DE ÉPOCA - traços de expressão próprios de um momento histórico - que de acordo com suas características são classificados em APOLÍNEO ou DIONISÍACO.
Neste nosso espaço, priorizaremos as literaturas BRASILEIRAS e PORTUGUESAS. Essas literaturas são divididas em ERAS - agrupamento em blocos (de estilos, movimentos ou escolas literárias) constituídos por afinidade com o contexto histórico-cultural das épocas. Em Portugal, ERA MEDIEVAL, ERA CLÁSSICA e ERA ROMÂNTICA, no Brasil, ERA COLONIAL e ERA NACIONAL.

Atenção: As Escolas Literárias sucedem-se umas às outras numa relação de ruptura e/ou continuidade. Os elementos de ruptura estabelecem a diferença entre elas, enquanto os elementos de continuidade formam tradição. São duas as tradições que se opõem, se alternam e se combinam na história da literatura - TRADIÇÃO APOLÍNEA e TRADIÇÃO DIONISÍACA.

Por fins didáticos, apresentaremos as características de cada uma das Tradições:

APOLÍNEA (Apolo): equilíbrio, harmonia, regularidade, racionalismo, simplicidade, clareza, concisão, objetividade, formalismo, materialismo e descrição.

DIONISÍACA (Baco): desequilíbrio, assimetria, sinuosidade, sentimentalismo, complexidade, obscuridade, prolixidade, subjetividade, liberdade, transcendentalismo, misticismo e sugestão.

Colocando em prática:

Abaixo há dois excertos, identifique a qual tradição cada um pertence.

Texto I

A estátua de Álvares de Azevedo é devorada
                                               [com paciência pela paisagem
      de morfina
a praça leva pontes aplicadas no centro de seu
corpo e crianças brincando
      na Tarde de esterco
Praça da República dos meus Sonhos
(...)
(Roberto Piva, “Praça da República dos meus Sonhos”,
in: Heloisa Buarque de Hollanda (org.), 26 poetas hoje, 1976)

Texto II

(...). É necessário que cada elemento seja posto em seu devido lugar; que o começo e o fim harmonizem com o meio; que, com uma arte exigente, as peças adequadas não formem senão um único todo de diversas partes; (...)
(Boileau, A arte poética, 1674)

Para finalizar este post...
O texto I identifica-se com a TRADIÇÃO DIONISÍACA  e o texto II, como TRADIÇÃO APOLÍNEA.

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